Prefeito e candidato à reeleição fala do que gostou de realizar, dos planos para um novo mandato e de como pensa uma metrópole regional
Fonte: Diário da Manhã
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Prefeito e candidato Paulo Garcia (PT) ao lado do vice Agenor Mariano (PMDB)
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), visitou o editor-geral do Diário da Manhã, jornalista Batista Custódio, e concedeu longa entrevista para um time de jornalistas escalados para recebê-lo. Antes da conversa, Paulo tomou café da manhã e brincou descontraidamente sobre temas gerais. Disse estar descansado do final de semana, apesar da agenda corrida já por conta da campanha eleitoral.
Paulo estava acompanhado do vereador Agenor Mariano (PMDB), candidato a vice em sua chapa; do publicitário Renato Monteiro, seu marketeiro, e da jornalista Renata Vieira, assessora de imprensa da campanha.
Os jornalistas Ulisses Aesse, Arthur da Paz, Sabrina Ritiely, Maurício Reis, Deivid Souza, Welliton Carlos e Hélmiton Prateado conduziram as perguntas, que versaram sobre a gestão de Paulo Garcia à frente da prefeitura desde abril de 2010. O prefeito não se furtou a nenhum assunto e demonstrou preparo para debater sobre quaisquer temas sobre sua administração e sobre os problemas da cidade.
Paulo de Siqueira Garcia é de família tradicional de Goiânia, tem 53 anos, é médico neurocirurgião formado pela Universidade Federal de Goiás, casado com a também médica anestesista Tereza Beiler, com quem tem dois filhos. Foi presidente da Cooperativa de Trabalho Médico Unimed em Goiânia. É filiado ao Partido dos Trabalhadores desde meados dos anos 1990. Foi suplente de vereador em 2000 e eleito deputado estadual em 2002. Exerceu o cargo até 2006 e despontou por políticas de atenção à saúde e participação popular.
Foi eleito vice-prefeito na chapa de Iris Rezende, e com sua saída para candidatar-se ao governo do Estado, Paulo assumiu o cargo com o desafio de dar continuidade a um audacioso programa de obras já planejadas.
Ulisses Aesse – Prefeito, por que ser candidato à reeleição?
Paulo Garcia – Sem falsa modéstia, mas numa avaliação crítica pessoal, tenho a crença de que realizamos muito nesses pouco mais de dois anos à frente da administração municipal. Talvez tenham sido poucos prefeitos na história de Goiânia nesses 79 anos de nossa capital que tenham desencadeado tantos processos. Eu pude dar continuidade a inúmeros processos já iniciados por meu antecessor em especial, mas pude também dar início a novos projetos e programas que cremos ser fundamentais para esse processo de transição que vive nossa cidade. Goiânia vai completar 80 anos e penso que o fundamental agora é retomarmos um planejamento profundo em todas as áreas. Por conhecer essa cidade e por saber como projetar soluções para nossa capital é que me apresento como candidato à reeleição.
Maurício Reis – O Parque Mutirama foi entregue à população depois de uma grande obra que teve problemas até com a Justiça. O senhor teme que isto seja usado por seus adversários?
Paulo Garcia – A própria população é a resposta a essa questão. Duas obras que eram iniciadas por meu antecessor, mas que eu realizei nessa gestão: o Mutirama e o zoológico. É necessário frisar que o Mutirama não foi uma simples obra de restauração, foi feito um novo parque. Foi completamente refeito desde sua parte estrutural. Não havia uma drenagem adequada, até porque no final da década de 1960 não existia essa preocupação. O Mutirama é uma nova obra. Outra grande obra que executamos nessa administração foi o zoológico, que é uma área de preservação permanente que precisou ser redimensionada com novos conceitos e adequações. Em frente ao Parque das Rosas fica a Praça Joaquim Xavier Curado, que era um problema crônico de pessoas em risco social, drogados e abandonados que a maioria das pessoas evitava. Hoje é um espaço de convivência de famílias. Sei que a própria população dará a resposta para questionamentos que porventura possam ser feitos. O zoológico chegou a receber 17 mil pessoas em um único final de semana. O Mutirama é o maior parque público da América Latina e pouca gente sabe disso. Se pegarmos os parques particulares, ele está em terceiro lugar. Um parque dessa magnitude é reaberto aos poucos, de forma gradual. Tudo está sendo adaptado à utilização em massa pela população.
Ulisses Aesse – O senhor acha que há pessoas da oposição jogando contra essas grandes obras?
Paulo Garcia – Isto eu nem preciso dizer, vocês mesmo da imprensa dizem sempre. Mas eu penso que essa é uma campanha para se discutir a cidade de Goiânia e o futuro que nossa cidade deve ser inserida. Eu tenho por certo que inseri Goiânia em um contexto mundial. No final do ano passado, um organismo mundial propôs aos pretensos candidatos a prefeito no Brasil que participavam de um programa de sustentabilidade que assinassem um compromisso de desenvolver esses conceitos em suas cidades. Eu assinei esse projeto, era um documento prévio, porque nós não podíamos nos afirmar oficialmente como candidatos. Assinei o convênio com o programa da plataforma de cidade sustentável do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Mas, para mim, está claro que existem pessoas na oposição que se utilizam de recursos condenáveis como esse para desestabilizar uma gestão de benefícios para uma cidade.
Sabrina Ritiely – O senhor disse que fará de Goiânia uma cidade sustentável. Que tipo de medidas concretas o senhor propõe para que isto se torne realidade?
Paulo Garcia – Penso que Goiânia precisa continuar crescendo e se desenvolvendo, isto faz parte da história natural, como sou médico, gosto muito de usar o exemplo de quando estudamos e avaliamos um paciente, você faz uma avaliação pensando na chamada história natural da doença. A história natural de Goiânia é continuar crescendo e continuar a se desenvolver, é uma capital jovem, que vai completar 80 anos, mas que se torna madura. O espaço urbano é uma alma viva, dinâmica, então nós precisamos permitir que ela cresça e se desenvolva. Mas não queremos que Goiânia se torne uma São Paulo, precisamos planejá-la para que em todas as vertentes de nosso desenvolvimento nós implantemos ações, projetos e programas de sustentabilidade. Penso que os eleitores estão saturados de propostas que mercantilizam o processo eleitoral, proposta que não tem fundamento nenhum do ponto de vista de planejamento. O que é um projeto de Goiânia cidade sustentável? É um projeto que permita a continuidade do seu desenvolvimento, do seu crescimento, sem agressão ambiental e mais do que isto, gerando oportunidades idênticas para todas e todos, porque não há de se falar em desenvolvimento sustentável se isto não desencadear oportunidades para todos e todas que aqui vivem, trabalham, que criam suas famílias, para que cada um alcance seu sonhos, seus desejos, que são individuais e diferentes. Recentemente, eu li um artigo do governador do Estado dizendo reconhecer que o desenvolvimento de Goiânia em áreas fundamentais como meio ambiente é modelo para todo mundo e que isto, nas palavras do governador, é mérito do atual gestor municipal.
Hélmiton Prateado - Prefeito, o senhor tocou obras que tinham sido planejadas pelo seu antecessor. Qual o senhor ressalta como sendo obra inteiramente da sua gestão, o senhor planejou e está executando?
Paulo Garcia – Um exemplo bem recente e significativo é o corredor universitário, que provocou interferências e melhorias substanciais no trânsito, no transporte e em todos os modais de mobilidade urbana, são mudanças que foram projetadas e realizadas por mim. O corredor universitário é uma demonstração clara do que a gente deseja para toda cidade, tanto é que no dia da sua inauguração já anunciamos que estaríamos executando um dos modais que ele tem, que é a ciclovia, através de um convênio com a UFG para fazer todo o plano cicloviário da cidade de Goiânia. Já iniciamos uma obra unindo o Campus II com o Setor Universitário. Anunciei também que daríamos continuidade com o corredor levando até o Terminal Bandeiras, ligando-o à Praça da Bíblia. Aquele corredor do ponto de vista arquitetônico urbanístico requalificou um espaço urbano central. Criamos a primeira ciclovia permanente, padronizamos os quiosques, onde os permissionários comercializam normalmente alimentos de consumo rápido dentro de padrões de desenvolvimento que nós consideramos adequados pelo tempo que vivemos, com critérios rígidos de vigilância sanitária, a própria caixa asfáltica foi padronizada e dividida, dando preferência a quem precisa usar o transporte coletivo, que é o transporte de massa.
Outra obra fundamental que iniciamos em nossa gestão é o Complexo Macambira/Anicuns. Esse projeto começou a ser gestado no início dos anos 2000, mas coube a mim em fevereiro deste ano, depois de percorrer todos os obstáculos burocráticos, assinar os contratos e dar ordem de serviço do Macambira/Anicuns. São 11 trechos e duas unidades de preservação permanente. A primeira unidade de preservação permanente, que é o Parque Macambira, já está toda circundada de obras em sua extensão. Lá vai haver uma praça, chamada Praça das Esculturas, que nós vamos oferecer aos nossos artistas plásticos na área de qualquer manifestação cultural, tem áreas de prática de esportes e outras. São 11 trechos do Macambira/Anicuns que devem ser executados em 5 anos. A história de Goiânia será antes e depois do Macambira/Anicuns, porque ela não é uma obra simplesmente de preservação ambiental, é uma obra de requalificação urbana.
Deivid Souza - O senhor falou sobre transporte público pensando dentro da realidade financeira de Goiânia. Como é que vamos pensar um projeto amplo de transporte coletivo para Goiânia?
Paulo Garcia – Uma coisa que já estamos fazendo. Já estamos na fase final de confecção do edital de licitação, uma licitação internacional como foi o do Macambira/Anicus. Será o Eixo Norte/Sul de BRT, sigla em inglês para Bus Rapid Trafic, ou simplesmente serviço de ônibus rápido. Ele vai cortar a cidade de Norte a Sul e, nesta fase inicial, são mais de 30 quilômetros de execução de obra que vai criar um corredor exclusivo. Isto será um avanço significativo no transporte de massa. Começa lá na esquina da Avenida São João com a Avenida Rio Verde, onde está o terminal Cruzeiro do Sul e a divisa de Goiânia com Aparecida de Goiânia, desce pela Quarta Radial, passa pelo Terminal Isidória, vai pela Rua 90, Avenida 84, Praça Cívica, Avenida Goiás e segue por esse eixo até o Recanto do Bosque. Essa é uma obra fantástica. Do ponto de vista de extensão é a maior já realizada em Goiânia.
Maurício Reis – O favoritismo nas pesquisas não atrapalha a campanha?
Paulo Garcia – Se favoritismo é estar em primeiro lugar no momento conjuntural, devo admitir que isto é verdade. Entretanto, um recorte do momento não irá nos fazer esmorecer, diminuir o ânimo e perder o foco de levar uma proposta séria e factível para a sociedade de Goiânia.
Hélmiton Prateado – Prefeito, como médico, como foi inaugurar uma obra como a Maternidade Dona Iris?
Paulo Garcia – É preciso que se diga que não é somente maternidade, é Hospital da Mulher. Essa diferenciação é necessária para que se diga que lá se cuida da mulher de forma global, não apenas na questão da obstetrícia, que é a gestação e parto. Tem um departamento, por exemplo, que cuida de mulheres que foram vítimas de agressões de qualquer ordem, física e psicológica. Para mim é motivo de grande alegria. Aquela é uma obra que eu executei de forma global. Quando eu assumi a prefeitura, lá não havia sequer um tijolo colocado, só tinha terra. Tudo foi construído inteiramente com recursos do município. Depois o governo da presidenta Dilma disponibilizou equipamentos para aquela unidade. Gosto de lembrar também que, sem demérito de qualquer unidade pública ou privada, não há uma sequer que se equipare ao tratamento da Maternidade e Hospital da Mulher Dona Iris. Tenho 30 anos de formado em Medicina, posso dizer com categoria que não existe uma unidade hospitalar como essa em Goiânia. Minha mulher, no início de sua carreira como anestesista, atendia lá e ficou emocionada com o que viu agora lá.
Ulisses Aesse – Prefeito, o que o senhor pensa para desenvolvimento econômico de Goiânia?
Paulo Garcia – Há propostas de desenvolvimento não poluente que podemos implementar, que sejam cadeias produtivas, que sejam plenamente sustentáveis. Por exemplo, uma delas pode ser tecnológica. Ela é considerada em toda a sua extensão uma cadeia produtiva limpa, não poluente e não agressora. A cadeia produtiva de TI (Tecnologia da Informação) é ampla, vai da produção de software até a produção de algoritmos que serão utilizados em todo o sistema de informática e em inúmeras áreas de conhecimento. Temos um projeto muito audacioso e plenamente exequível para isto que vamos apresentar em breve no nosso programa de governo. Precisamos criar todo o arcabouço necessário para que uma cadeia produtiva como essa se desenvolva em Goiânia, até pelo desenvolvimento educacional que ela demanda, é uma cadeia produtiva limpa e sustentável.
Maurício Reis – O que o senhor fala no quesito educação?
Paulo Garcia – Sobre isto também ficamos à vontade, pois está sob nossa responsabilidade o ensino fundamental. Da primeira à nona séries não há dificuldade para se encontrar vagas em Goiânia. No ensino infantil, que é seis meses a cinco anos de idade, as antigas creches, temos demanda. O MEC estabeleceu que as capitais brasileiras apresentem solução para isto até 2016. Em Goiânia firmamos o compromisso de resolver isto até o final de 2012. Acredito que investir em educação é definitivamente a única forma de uma sociedade afirmar que tem uma democracia consolidada. Pensamos que unidade escolar precisa ser pensada e executada de forma ampla, o que nos levou a construir em todas as unidades uma quadra poliesportiva, que serve para a prática de esportes e para convivência da comunidade. Todas as unidades que estamos construindo já têm sua quadra esportiva, e onde não havia, estamos construindo à parte. Vou falar de uma coisa que em 78 anos de Goiânia nunca foi feito: eu entreguei para cada aluno da rede municipal de ensino um kit de uniforme composto de short, calça, duas camisetas e uma blusa de frio. Se você multiplicar isto por mais de 100 mil alunos que temos, vocês verão o trabalho de justiça social que foi feito. Hoje é fato real que muitos pais estão migrando seus filhos da rede privada para a rede pública de ensino.
Hélmiton Prateado – Segurança pública é um grande problema em Goiânia. A Guarda Municipal terá mais atribuições para garantir segurança?
Paulo Garcia – Primeiro é preciso que se diga que segurança é dever da União e dos Estados. Mas não sou daqueles que imaginam que o município não deva dar sua contribuição. Nós temos dado nossa efetiva participação nesse quesito. Criamos a Secretaria de Defesa Social. A Guarda Municipal está passando por modificações substanciais com objetivo de se tornar um exemplo de polícia comunitária, não necessariamente de atuação ostensiva.