quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Entrevista Paulo Garcia: “Vou planejar e moldar uma cidade”


O pre­feito de Goi­ânia, Paulo Garcia (PT), vi­sitou o editor-geral do Diário da Manhã, jor­na­lista Ba­tista Cus­tódio, e con­cedeu longa en­tre­vista para um time de jor­na­listas es­ca­lados para re­cebê-lo.

Sa­brina Ri­tiely – O se­nhor disse que fará de Goi­ânia uma ci­dade sus­ten­tável. Que tipo de me­didas con­cretas o se­nhor propõe para que isto se torne re­a­li­dade?

Paulo Garcia – Penso que Goi­ânia pre­cisa con­ti­nuar cres­cendo e se de­sen­vol­vendo, isto faz parte da his­tória na­tural, como sou mé­dico, gosto muito de usar o exemplo de quando es­tu­damos e ava­li­amos um pa­ci­ente, você faz uma ava­li­ação pen­sando na cha­mada his­tória na­tural da do­ença. A his­tória na­tural de Goi­ânia é con­ti­nuar cres­cendo e con­ti­nuar a se de­sen­volver, é uma ca­pital jovem, que vai com­pletar 80 anos, mas que se torna ma­dura. O es­paço ur­bano é uma alma viva, di­nâ­mica, então nós pre­ci­samos per­mitir que ela cresça e se de­sen­volva. Mas não que­remos que Goi­ânia se torne uma São Paulo, pre­ci­samos pla­nejá-la para que em todas as ver­tentes de nosso de­sen­vol­vi­mento nós im­plan­temos ações, pro­jetos e pro­gramas de sus­ten­ta­bi­li­dade. Penso que os elei­tores estão sa­tu­rados de pro­postas que mer­can­ti­lizam o pro­cesso elei­toral, pro­posta que não tem fun­da­mento ne­nhum do ponto de vista de pla­ne­ja­mento. O que é um pro­jeto de Goi­ânia ci­dade sus­ten­tável? É um pro­jeto que per­mita a con­ti­nui­dade do seu de­sen­vol­vi­mento, do seu cres­ci­mento, sem agressão am­bi­ental e mais do que isto, ge­rando opor­tu­ni­dades idên­ticas para todas e todos, porque não há de se falar em de­sen­vol­vi­mento sus­ten­tável se isto não de­sen­ca­dear opor­tu­ni­dades para todos e todas que aqui vivem, tra­ba­lham, que criam suas fa­mí­lias, para que cada um al­cance seu so­nhos, seus de­sejos, que são in­di­vi­duais e di­fe­rentes. Re­cen­te­mente, eu li um ar­tigo do go­ver­nador do Es­tado di­zendo re­co­nhecer que o de­sen­vol­vi­mento de Goi­ânia em áreas fun­da­men­tais como meio am­bi­ente é mo­delo para todo mundo e que isto, nas pa­la­vras do go­ver­nador, é mé­rito do atual gestor mu­ni­cipal.

Hél­miton Pra­teado - Pre­feito, o se­nhor tocou obras que ti­nham sido pla­ne­jadas pelo seu an­te­cessor. Qual o se­nhor res­salta como sendo obra in­tei­ra­mente da sua gestão, o se­nhor pla­nejou e está exe­cu­tando?

Paulo Garcia – Um exemplo bem re­cente e sig­ni­fi­ca­tivo é o cor­redor uni­ver­si­tário, que pro­vocou in­ter­fe­rên­cias e me­lho­rias subs­tan­ciais no trân­sito, no trans­porte e em todos os mo­dais de mo­bi­li­dade ur­bana, são mu­danças que foram pro­je­tadas e re­a­li­zadas por mim. O cor­redor uni­ver­si­tário é uma de­mons­tração clara do que a gente de­seja para toda ci­dade, tanto é que no dia da sua inau­gu­ração já anun­ci­amos que es­ta­ríamos exe­cu­tando um dos mo­dais que ele tem, que é a ci­clovia, através de um con­vênio com a UFG para fazer todo o plano ci­clo­viário da ci­dade de Goi­ânia. Já ini­ci­amos uma obra unindo o Campus II com o Setor Uni­ver­si­tário. Anun­ciei também que da­ríamos con­ti­nui­dade com o cor­redor le­vando até o Ter­minal Ban­deiras, li­gando-o à Praça da Bí­blia. Aquele cor­redor do ponto de vista ar­qui­tetô­nico ur­ba­nís­tico re­qua­li­ficou um es­paço ur­bano cen­tral. Cri­amos a pri­meira ci­clovia per­ma­nente, pa­dro­ni­zamos os qui­os­ques, onde os per­mis­si­o­ná­rios co­mer­ci­a­lizam nor­mal­mente ali­mentos de con­sumo rá­pido dentro de pa­drões de de­sen­vol­vi­mento que nós con­si­de­ramos ade­quados pelo tempo que vi­vemos, com cri­té­rios rí­gidos de vi­gi­lância sa­ni­tária, a pró­pria caixa as­fál­tica foi pa­dro­ni­zada e di­vi­dida, dando pre­fe­rência a quem pre­cisa usar o trans­porte co­le­tivo, que é o trans­porte de massa.

Outra obra fun­da­mental que ini­ci­amos em nossa gestão é o Com­plexo Ma­cam­bira/Ani­cuns. Esse pro­jeto co­meçou a ser ges­tado no início dos anos 2000, mas coube a mim em fe­ve­reiro deste ano, de­pois de per­correr todos os obs­tá­culos bu­ro­crá­ticos, as­sinar os con­tratos e dar ordem de ser­viço do Ma­cam­bira/Ani­cuns. São 11 tre­chos e duas uni­dades de pre­ser­vação per­ma­nente. A pri­meira uni­dade de pre­ser­vação per­ma­nente, que é o Parque Ma­cam­bira, já está toda cir­cun­dada de obras em sua ex­tensão. Lá vai haver uma praça, cha­mada Praça das Es­cul­turas, que nós vamos ofe­recer aos nossos ar­tistas plás­ticos na área de qual­quer ma­ni­fes­tação cul­tural, tem áreas de prá­tica de es­portes e ou­tras. São 11 tre­chos do Ma­cam­bira/Ani­cuns que devem ser exe­cu­tados em 5 anos. A his­tória de Goi­ânia será antes e de­pois do Ma­cam­bira/Ani­cuns, porque ela não é uma obra sim­ples­mente de pre­ser­vação am­bi­ental, é uma obra de re­qua­li­fi­cação ur­bana.


Fonte: DM.com.br

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